Não sei que olhar os historiadores vão lançar sobre o Brasil quando forem se debruçar, daqui a alguns anos, sobre as páginas que estamos escrevendo hoje. Mas certamente haverão de se chocar com os escândalos que se sucedem na vida pública, escândalos esses que, de tão rotineiros, já estão se banalizando e não chegam mais sequer a provocar indignação entre nós.
A corrupção, pai e mãe de muitas das desgraças que estamos vivendo, já se estabeleceu de tal modo que assumiu mesmo a condição de Quarto Poder, que historicamente coube à imprensa. Não um poder institucionalizado, como o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, mas um poder instituído.
A corrupção hoje é poder que espalha seus tentáculos sobre os demais Poderes e fora deles, ganhando cada vez mais força. É por causa da corrupção que os políticos e empresários honestos sucumbem na atividade pública, e os desonestos prosperam; é por causa da corrupção que as obras públicas inacabadas foram paralisadas, e outras, quando concluídas, transformam-se em elefante branco; é por causa da corrupção que falta atendimento médico decente nos hospitais públicos e as escolas públicas funcionam precariamente.
É por causa da corrupção, ainda, que as estradas ficam esburacadas; é também por causa da corrupção que as estradas recuperadas voltam ao que eram com as primeiras chuvas; é impossível enumerar os estragos provocados pela corrupção em tão pouco espaço.
O que é lamentável é que, em pouco tempo, perdemos muitos aliados no combate a esse mal. As baixas são irreparáveis, pois muitos dos que estavam nas trincheiras da ética na Administração Pública mudaram de lado.
Hoje eles engrossam as fileiras dos que procuram a qualquer custo se locupletar da corrupção.E muitos dos que ficaram na resistência perdem a força.
Zózimo Tavares.
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